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Agência de Belo Horizonte aposta em GEO, a otimização para a era das buscas com inteligência artificial

Agência de Belo Horizonte aposta em GEO, a otimização para a era das buscas com inteligência artificial

O jeito como o brasileiro encontra empresas está mudando de canal. Levantamento da Optimiza Marketing divulgado em julho indica que 46,5% dos consumidores do país recorrem com frequência a plataformas de inteligência artificial, caso de ChatGPT e Gemini, na hora de pesquisar o que comprar e de quem comprar. Para os negócios, a consequência é direta: além de aparecer no Google, agora é preciso ser citado nas respostas que as IAs montam quando alguém pede uma indicação.

Esse trabalho ganhou nome no mercado internacional, Generative Engine Optimization, ou GEO, e começa a se estruturar como serviço no Brasil. Entre as empresas que apostaram cedo nessa frente está a Lucas Ferraz SEO, agência de marketing digital de Belo Horizonte que colocou a otimização para IAs no centro da operação, ao lado do SEO tradicional e da criação de sites.

A empresa foi formalizada em janeiro de 2022, como registra o cadastro nacional da pessoa jurídica na Receita Federal, com sede no bairro Santa Amélia, na capital mineira. A trajetória do fundador, porém, é anterior: Lucas Ferraz atua com otimização de sites desde 2007, período em que o ofício ainda era restrito a posicionar páginas na lista de resultados do Google.

O modelo de atendimento é totalmente remoto, o que permite à agência trabalhar com clientes de qualquer região do país. “O processo é o mesmo para um cliente de Belo Horizonte ou de Porto Velho. O que muda é o mercado que a gente estuda, porque a concorrência de cada cidade é outra”, afirma Ferraz. No perfil da empresa no Google, aberto à consulta pública, são mais de 190 avaliações com nota máxima, de clientes de segmentos como imobiliárias, clínicas, escritórios de advocacia, contabilidade e comércio eletrônico.

O portfólio combina quatro serviços: criação de sites profissionais em WordPress, consultoria de SEO, que inclui o SEO local, o serviço de GEO propriamente dito e mentoria para empresários e equipes que preferem executar a estratégia internamente.

Um detalhe diferencia a agência da maior parte do mercado de marketing digital brasileiro: os preços ficam publicados no próprio site. No caso dos sites, a tabela vai de R$800 a R$2.467, valor que varia conforme a complexidade do layout, e o prazo de entrega anunciado é de até 3 dias úteis. Já a consultoria de SEO e o GEO têm piso de R$1.350 mensais, com o teto definido pelo próprio cliente conforme a escala pretendida.

“A empresa que a IA não entende não entra na resposta. E quem não entra na resposta não recebe o contato”, diz o fundador, para quem a transparência de preço faz parte da mesma lógica: informação clara e pública é o que os sistemas de busca, tradicionais ou generativos, conseguem ler e repetir.

O trabalho da casa segue métodos próprios, todos nomeados e descritos publicamente. O guarda-chuva é o Método das Duas Camadas, que separa a presença digital em duas frentes: existir na busca do Google e entrar nas recomendações das IAs. Dele derivam os métodos de cada serviço, caso do Método Rota do Orçamento (criação de sites), do Método Fila Orgânica (consultoria), do Método Raio de Confiança (SEO local) e do Método Rodada de Citação (GEO), este último baseado em medições periódicas que verificam se a marca do cliente é exibida quando ChatGPT, Gemini ou Google respondem a perguntas de compra do nicho, em que posição e contra quais concorrentes.

A aposta no GEO rendeu produção fora do balcão de serviços. Em julho, o fundador lançou “A Empresa que a IA Recomenda” (ISBN 978-65-02-23078-7), guia em que detalha o framework das duas camadas para donos de pequenas e médias empresas. A obra é vendida na Amazon e mantém ficha aberta no catálogo do Google Livros.

Em agosto, veio o passo mais incomum para uma agência de médio porte: a publicação de um estudo com registro DOI (10.5281/zenodo.22004746), depositado em acesso aberto no Zenodo, repositório científico do CERN. O trabalho analisou três meses de dados oficiais de Google e Bing em quatro sites de PMEs brasileiras e encontrou uma divisão de comportamento entre os ecossistemas: a IA do Google exibe majoritariamente conteúdo que responde dúvidas, enquanto as citações do Copilot, que também abastece o ChatGPT, se concentram em perguntas de comparação e compra.

Para o mercado, o dado tem um recado prático. Empresas que produzem apenas conteúdo informativo podem até aparecer nas respostas do Google, mas ficam de fora das recomendações dos assistentes; as que mantêm páginas comerciais claras, com preço, escopo e comparação, disputam os dois espaços.

O GEO ainda é um serviço em formação no Brasil, sem padrão de entrega consolidado, e a corrida entre agências está aberta. O movimento lembra o início do próprio SEO, há duas décadas: quem estruturou o método cedo colheu a autoridade depois. A diferença, desta vez, é a velocidade. Se metade dos consumidores já pergunta às IAs o que comprar, como aponta a pesquisa da Optimiza, o prazo para as empresas se adaptarem é medido em meses, não em anos.

Procurada para a reportagem, a agência informou que a próxima rodada do estudo será publicada com atualização mensal dos dados, mantendo a série aberta para consulta.

Via: florestanoticias

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