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Dor no joelho na academia pode virar lesão grave quando os sinais são ignorados

Dor no joelho na academia pode virar lesão grave quando os sinais são ignorados

O Brasil ultrapassou a marca de 59 mil academias em atividade, segundo dados do Conselho Federal de Educação Física (Confef) referentes a 2025. O número quase triplicou em relação a 2014, quando o país contava com cerca de 21 mil estabelecimentos.

São milhões de pessoas frequentando salas de musculação todos os dias, muitas delas sem acompanhamento profissional adequado e sem histórico de prática esportiva anterior.

Esse crescimento tem um lado que aparece pouco nas estatísticas oficiais, mas é recorrente nos consultórios ortopédicos: a dor no joelho causada por sobrecarga, execução incorreta de exercícios e progressão de carga acelerada.

Estudos brasileiros apontam que entre 40% e 70% dos praticantes de musculação já tiveram algum tipo de lesão musculoesquelética, e o joelho aparece consistentemente entre as articulações mais atingidas, ao lado do ombro e da coluna lombar.

A combinação entre entusiasmo do iniciante e falta de orientação técnica tem criado uma geração de praticantes que convive com dor articular sem saber que ela pode representar algo mais sério do que um simples desconforto pós-treino.

O joelho é a maior articulação do corpo humano e, ao mesmo tempo, uma das mais vulneráveis. Sua estrutura depende de ligamentos, meniscos, tendões e cartilagem para funcionar bem. Quando qualquer uma dessas estruturas é sobrecarregada de forma repetida, o desgaste pode começar silenciosamente.

Na musculação, os exercícios de membros inferiores concentram grande parte do esforço sobre essa articulação. Agachamentos, leg press, cadeira extensora e avanços exigem que o joelho suporte cargas que podem chegar a sete vezes o peso corporal, dependendo do ângulo de flexão. Para uma pessoa de 80 quilos, isso significa até 560 quilos de pressão sobre a cartilagem da patela em um único movimento.

O problema não está no exercício em si. O agachamento, por exemplo, é considerado seguro e benéfico quando executado com técnica correta e carga compatível com o nível de condicionamento do praticante.

Dr. Ulbiramar Correia, ortopedista de joelho na região de Goiânia, explica que o risco aparece quando a progressão é apressada, quando o alinhamento do joelho não é respeitado ou quando o aluno ignora sinais claros de que algo não está funcionando bem.

Uma pesquisa publicada na Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício identificou que 31% dos praticantes de musculação avaliados não contavam com nenhum tipo de acompanhamento profissional durante os treinos. O estudo apontou essa ausência como fator de risco direto para o surgimento e o agravamento de lesões.

Entre as lesões mais frequentes em praticantes de academia está a condromalácia patelar, também chamada de síndrome femoropatelar. Trata-se de um desgaste progressivo da cartilagem que reveste a parte interna da patela. Essa cartilagem, com cerca de 5 milímetros de espessura, é a mais densa do corpo e funciona como amortecedor natural entre os ossos do joelho.

O Brasil ultrapassou a marca de 59 mil academias em atividade, segundo dados do Conselho Federal de Educação Física (Confef) referentes a 2025. O número quase triplicou em relação a 2014, quando o país contava com cerca de 21 mil estabelecimentos.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), a condromalácia patelar surge por sobrecarga repetida na articulação, agravada por exercícios com execução incorreta.

A condição é mais frequente em mulheres, em parte por fatores anatômicos como o alinhamento natural dos membros inferiores, mas atinge também homens que treinam com carga excessiva ou sem respeitar a progressão adequada.

Os primeiros sinais costumam ser sutis: um estalo ao dobrar o joelho, uma sensação de “areia” dentro da articulação, um incômodo ao subir escadas ou ao se levantar depois de ficar muito tempo sentado. O erro mais comum, segundo especialistas, é tratar esses sinais como parte normal do treino e continuar forçando a articulação.

A condromalácia tem quatro graus de classificação. Nos graus iniciais, o tratamento conservador com fisioterapia, fortalecimento muscular e ajuste de carga resolve a maioria dos casos.

Quando o praticante ignora os sintomas por meses ou anos, o quadro pode avançar para fissuras profundas na cartilagem (grau 3) ou exposição do osso subcondral (grau 4), cenários em que a cirurgia passa a ser discutida.

Um dos pontos mais negligenciados na orientação ao praticante de musculação é a diferença entre dor muscular tardia e dor articular. A primeira é esperada após treinos intensos, especialmente em iniciantes, e costuma aparecer entre 24 e 72 horas depois do exercício, melhorando com repouso. A segunda é sinal de alerta.

Dor localizada no joelho durante a execução de exercícios como agachamento ou leg press, inchaço que persiste por mais de dois dias, estalos acompanhados de dor e sensação de que a articulação vai “falhar” durante o movimento são indicadores de que existe algo além do esforço muscular normal.

O problema é que muitos praticantes, por falta de informação, associam qualquer tipo de dor ao resultado do treino. Em redes sociais, a cultura do “sem dor, sem ganho” reforça essa confusão. Profissionais de ortopedia alertam que dor articular persistente não é sinal de progresso; é sinal de que o corpo está pedindo atenção médica.

Quando esses sinais aparecem, o caminho recomendado é buscar avaliação em uma clínica de joelho que conte com ortopedistas especializados nessa articulação. A diferença entre um diagnóstico feito nas primeiras semanas e um diagnóstico feito meses depois pode definir se o tratamento será conservador ou cirúrgico.

Via: florestanoticias

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